ANCR-Associação Nacional do Cavalo de Rédeas
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Rédeas brasileira, cada vez mais internacional

Evento da ANCR realizado neste final de semana mostrou que o Brasil alargou seus limites e elevou o status da Rédeas brasileira no cenário mundial

Competidores do NRHA Pan American Cup recebendo a premiação (Foto: Adilson Silva/FotoPerigo)

 

Não foi apenas pela estrutura, digna dos grandes eventos hípicos mundiais; não foi apenas por contar com oito delegações internacionais e não foi apenas pelo incremento de quase 50% no número de inscrições. Foi por tudo isso e muito mais que a Associação Nacional do Cavalo de Rédeas (ANCR) conseguiu elevar o status da modalidade brasileira no cenário mundial. Nossos cavaleiros, e cavalos, já fazem sucesso nos Estados Unidos, a “meca” do esporte; mas estamos falando aqui de algo maior: a modalidade brasileira como um todo.

Quando teve início no último dia 15 (quarta-feira da semana passada) o conjunto de provas que formou o maior evento já realizado pela ANCR, o público presente já tinha certeza de que estava vendo a história ser escrita. Isto porque, o Parque de Exposições Dr. Fernando Cruz Pimentel, na cidade de Avaré (SP), sediou, até este sábado, dia 18 de agosto, o I Pan American Cup Jovem NRHA/ANCR. Todos os países que abrigam a Rédeas podiam ter sido escolhidos para sediar esta prova inédita. Ser realizada nos Estados Unidos seria o mais óbvio. Porém, foi ali, na pequena Avaré que os olhos do mundo se voltaram para ver competidores do Canadá, Chile, México, Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai e Estados Unidos disputando uma competição que tornou a rédeas brasileira ainda mais internacional.

Além do I Pan American Cup Jovem, foram promovidas as seguintes provas: o XXIX Potro do Futuro ANCR 2018, a Final do Campeonato Nacional de Rédeas 2017/2018; Copa InterNúcleos 2018; II Pan American Cup  NRHA/ANCR e o Cardinal RanchCup N1.

 

Estrutura digna de eventos internacionais

Para receber tantos estrangeiros em sua “casa” a ANCR não deixou por menos. Uma estrutura que não perde em nada para as grandes arenas do mundo foi montada no Parque de Exposições da Emapa.

Essa estrutura contou com pistas cobertas, tanto para as provas principais como a de aquecimento. Na principal, além de arquibancadas, quase 50 camarotes foram montados e comercializados, mostrando o interesse do público pelo evento.

Na entrada principal, dois grandes Lounges chamavam a atenção pelo requinte e conforto. O local transformou-se rapidamente em um ponto de encontro dos criadores e competidores para troca de ideias sobre a modalidade e muito networking.

Os patrocinadores e as lojas receberam atenção especial. Os espaços para todos eram amplos, o que facilitou a circulação das pessoas e o movimento nos estandes.

Balanço

O Presidente da ANCR, Francisco Moura, fez um balanço bastante positivo do evento. Segundo ele, além da presença maciça do público, presente em todos os dias do evento, a premiação bateu recorde nesta edição, chegando a meio milhão, entre prêmios em dinheiro, programas de incentivo de garanhões, premiação de raças e brindes. O número de inscrições também surpreendeu: 328 no total, com destaque para o Potro do Futuro Amador, com 45 inscritos, o maior da história. 

“Ao todo foram distribuídos mais de R$ 250 mil em premiação em dinheiro, além de coberturas de garanhões, premiações individuais de haras e brindes que, somados, chegam a R$ 500 mil. Ressaltando que um de nossos patrocinadores, a Organnact, ofereceu um trailer (20 mil reais) para premiação. Isso mostra o quanto os eventos da Rédeas estão crescendo e melhorando em todos os aspectos: público, premiação, cavalos, cavaleiros, entidade de raças e haras nos ajudando”, declarou o Presidente da ANCR.

Moura ainda destacou a qualidade técnica tanto das apresentações quanto da tropa, o que fez com que a nota de corte subisse três pontos em relação a edição anterior, comprovando a evolução da competição.

“Desde o primeiro dia foi um sucesso, tanto na parte de público quanto na parte técnica, de qualidade de animais e apresentação de nossos cavaleiros. A gente realmente teve uma mudança de nível muito expressiva. No ano passado, por exemplo, a nota de corte foi de 209 e, este ano, a nota de corte foi de 212. Isso mostra o quanto estamos evoluindo na parte de qualidade técnica do evento. A presença de público também é algo notório e cresce a cada ano.”

Moura atribuiu tamanha qualidade ao trabalho conjunto realizado pelos funcionários da ANCR, parceiros e colaboradores da associação que formam uma equipe coesa e muito forte em prol da modalidade de Rédeas. “Nossa equipe – Denise e Lia –, e os colaboradores da ANCR é que fazem de tudo para alcançar esse padrão tão elevado. Também temos alguns parceiros que nos atendem muito bem, como a Vagalumes Artes, a StarPalcos, a Plus and half, a FF Criação, a Jequitibá Comunicação Estratégica e muitos outros que atuam nos bastidores para fazer esse evento impecável. Para mim, a união e a soma dessas forças em prol de ter um grande evento é que contribui para que a gente tenha sucesso todos os anos”, ressalta.

Com tantos pontos favoráveis, o que não faltaram foram comentários positivos sobre o show promovido pela ANCR, fazendo aumentar ainda mais as expectativas de todos para o próximo ano. Comentários como: “O que vamos ver no próximo ano?” era comum de se ouvir por todos os corredores e espaços do Parque de Exposições Dr. Fernando Cruz Pimentel. E a ANCR promete corresponder às expectativas com um evento ainda mais grandioso.

 “Só temos que agradecer e já começar a trabalhar e pensar como vai ser no próximo ano, porque com certeza vai ser uma festa maior que essa, um show ainda melhor e vamos ter que ter uma qualidade pra atender e receber esse pessoal de forma melhor no ano que vem”, destaca.

Internacional

Moura ainda fez questão de destacar as conquistas internacionais que a Rédeas vem alcançando nos últimos anos graças à colaboração incansável do Diretor Internacional, João Marcos de Arruda Pires. “Hoje, a ANCR é reconhecida em qualquer lugar onde se fala de rédeas, o Brasil é conhecido em todas as partes do mundo, graças ao trabalho do João Marcos que está sempre nos apoiando e contribuindo para o crescimento da modalidade no Brasil.”

O Presidente da ANCR lembrou ainda da importância de se realizar pela primeira vez no país o Pan American CUP Jovem. “Não só para os competidores como para todo mundo que está assistindo é superimportante esse intercâmbio, como também para as pessoas que estão vindo conhecer o que a gente faz aqui, conhecer nossos treinadores. É uma troca de conhecimento que vai trazer muitos benefícios para todos.”

Prova inédita

Como de costume, o Diretor Internacional João Marcos marcou presença no evento da Rédeas e relatou que nos últimos quatro anos esteve batalhando junto à NRHA para a realização do 1º Pan American Cup Jovem, prova inédita em 53 anos de fundação da entidade.  Para o Brasil, uma conquista de grande importância sediar tal competição, considerada a maior de todos os tempos.

“Nos últimos quatro anos a gente trabalhou muito e tive a oportunidade de começar a falar na NRHA sobre a possibilidade de se realizar uma prova para jovens, com chance desses competidores pela primeira vez ir para fora dos EUAS. No começo foi bastante difícil eles entenderem, também tinha a questão de responsabilidade de ir para fora do país. Até que finalmente acabaram nos dando crédito e também a autorização para fazer o 1º Pan American Jovem. Essa é a maior prova das Américas. Nunca teve uma disputa que reuniu em um mesmo lugar tantos países americanos: Argentina, Paraguai, Uruguai, Chile, Brasil, Canadá, Estados Unidos e México. E logo, logo vamos ter também a América Central”, anuncia.

Segundo João Marcos, o Pan American Cup Jovem é uma maneira de incentivar e motivar os jovens a buscar um título fora de seu país e ainda servir como um intercâmbio para troca de experiências entre a nova geração.

“Queremos, com esse campeonato, criar um degrau a mais para o jovem que está no topo das competições em seu país. Assim, ele vai poder ser o melhor não apenas no país dele, como também ser o melhor das Américas. Dessa forma, a pessoa se esforça para alcançar um nível mais alto”, explica.

João Marcos ainda fez questão de ressaltar a atuação de Francisco Moura à frente da ANCR. “O Chico tem feito uma diferença enorme em todo esse trabalho. Eu tenho um respeito muito grande por ele. Tudo que a gente faz, fazemos junto com ele. Moura está mudando a história do Brasil e as perspectivas para o futuro são ilimitadas. Espero, então, que todos apoiem e incentivem o Chico a fazer a Rédeas no Brasil, pois temos a possibilidade de em um curto espaço de tempo se tornar o segundo país mais forte do mundo na modalidade”, prevê o Diretor Internacional.

 

Avaliação Internacional

Pela primeira vez participando de uma competição no Brasil, a Presidente da NRHA Jovem, Taylor Masson, também foi só elogios à iniciativa da NRHA em promover em parceria com ANCR um torneio para os jovens. “Campeonatos como este envolvem muita paixão e fazem com que os jovens tenham oportunidade de competir com os melhores do mundo e ainda trocar informações e experiências. É muito interessante estar entre jovens de vários países e saber que todos dividem a mesma paixão. Sem contar que essa troca de informação é muito enriquecedora”.

Taylor conta que a experiência de vir ao Brasil participar da competição contribuiu para aumentar seu conhecimento sobre uma nova cultura e ampliar seus horizontes. “Abriu muito minha mente para diferentes culturas e para novas pessoas que estão, assim como eu, tão envolvidas com os cavalos e as competições. Fiquei muito impressionada com tudo o que vi no Brasil, com a qualidade de cavalos e cavaleiros. Foi uma experiência fantástica.”

Para o Comissário Gary Carpenter, que já esteve cerca de sete vezes no Brasil, muitas das razões do Brasil ter sido escolhido para sediar essa competição passa por João Marcos. “Não posso dizer não para ele (risos)! João Marcos é a força e a energia por trás de todo esse trabalho que vem sendo realizado. Ele tem feito uma excelente interação entre a ANCR e a NRHA, representando a América do Sul. Sem dúvida, ele é uma das principais pessoas que toma decisões importantes a nível mundial pela Rédeas no mundo. Quero destacar ainda que a ANCR fez uma grande organização e o Parque possui uma ótima estrutura para as provas. Os cavalos são muito bons. A genética é a mesma dos melhores cavalos do mundo. Penso que a tendência é a prova continuar crescendo e a qualidade dos cavalos também. E claro, existe a possibilidade da prova se repetir novamente e se tornar cada vez melhor. Sou um cowboy do Texas e tenho um grande respeito pelos cavalos e cavaleiros brasileiros”, revelou Carpenter.

 

Feedback

Sempre presente aos eventos da Rédeas, o criador André Tripoloni foi um dos que elogiaram a estrutura montada pela ANCR para receber o público e os competidores. “O nível é o mesmo de eventos internacionais. Acho que esse é um dos melhores eventos da Rédeas já realizados aqui no Brasil. O Presidente da ANCR, Francisco Moura, fez um excelente trabalho. A organização está excelente. A tropa também evoluiu demais. O número de inscrições bateu recorde este ano. Eu acho que a Rédeas está crescendo muito em comparação com outras modalidades. Mesmo com a situação econômica complicada do país, o que também afeta o mundo do cavalo, a Rédeas não foi tão atingida. Quando para muitos o momento é de ‘enxugar’, aqui você está vendo o contrário. É um evento grandioso e um crescimento surpreendente.” 

Desde 1989 participando ativamente das atividades da ANCR, o empresário e ex-competidor Alexandre Ramos foi outro que também aprovou a qualidade do show. “Acompanhei a evolução da Rédeas desde o início e posso dizer que esse evento surpreende porque evoluiu muito em todos os sentidos: nível dos cavalos, dos cavaleiros e da estrutura. Está lindo, muito maior e melhor. O fato é que a Rédeas vem crescendo a cada diretoria. Isso é o mais especial. Cada diretoria que foi passando, foi dando continuidade ao trabalho do presidente anterior e isso colaborou para esse crescimento contínuo, o que muitas vezes não acontece em outras associações.”

Resultado Potro do Futuro

O Potro do Futuro categoria Aberta Nível 4, uma das provas mais aguardadas do Campeonato, teve Fiat Best Chex e Gilson Vieira Diniz Filho como campeões da disputa, com nota 223,5. Gilsinho também foi o vencedor do Campeonato Nacional na categoria Aberta Nível 4 montando Craque Marca Dos Santos. Foi dele ainda o título de campeão no II Pan American Cup NRHA/ANCR Aberta. O veterano das pistas de Rédeas mais uma vez comemorou os títulos. “Foi muito bacana vencer mais uma vez e nossa expectativa é procurar render cada vez mais. Nossa meta é conseguir se manter sempre entre os cinco primeiros colocados. Então, estou muito satisfeito.”

No Potro do Futuro Aberta N3 e N2, o conjunto formado por Country Hit e Jone Carlos da Silva foi o vencedor. Na categoria Amador Nível 4, o lugar mais alto do pódio ficou para Joana G. Azevedo e Real Starlight Gun. No Nível 3, Edgard Rego Santos Neto com Country Design Gun levou a melhor. Já no Nível 2, quem venceu foi Cassio Menarim com  Jararaca Da Roraima.

Resultado I Pan American Cup Jovem e II Pan American Cup

O I Pan American Cup Jovem elegeu a representante dos EUA, Taylor Masson, montada em Doc San Whiz, como campeã. Já no II Pan American Cup a vitória foi dos brasileiros Giovanna Diniz com Pepto Roan Cat (Amador), e Gilson Vieira Diniz Filho com Fiap Cielo Melodys (Aberta).

O time vencedor que representou a NRHA, formado por Taylor Masson na Jovem, Franco Bertolani na Aberta e Russel Flint na Amador. O critério utilizado foi a soma das notas de cada competidor nas categorias Jovem, Amador e Aberto.

 

Resultado Nacional

No Campeonato Nacional Aberta N3 e N2, o título de campeão ficou para Fantastico Spark e Jone Carlos da Silva. No Amador N4, N3 e N2, quem venceu foi Matheus Magalhães Marinho com That's Reminic Dan. Na Principiante Aberta, Lucas Rodrigues da Cunha Avelino     com Reminic Squall ficou com o título de campeão. Na Principiante Amador, Jessika Terra Monassi Telles com Guarana Winnin HJM ficou com a primeira colocação.

Resultado Copa Cardinal Ranch

A Copa Cardinal Ranch Cup teve na categoria Jovem Gabriel Cordeiro Martins no comando de Helluva Whiz BK como vencedor. Na categoria Jovem 10, Maria Luisa Fruet Bernardes na sela de Little Steppin VSJ ficou com o título.

Resultado Prova Extra ANCR

Realizada pela primeira vez, a Prova Extra ANCR – categorias Aberta e Amador – também foi uma novidade desta edição. A disputa, para animais de qualquer idade e destinada a quem não tinha um Potro do Futuro, não conseguiu se classificar para o Campeonato Nacional ou pretendia colocar seu cavalo para treinar em ambiente de prova, teve o conjunto formado por Miss Rey Gun e Gilson Vendrame como campeão. Na Aberta N2, o título ficou para Mandinga Tunuyan e Douglas Noveti de Oliveira. Na Amador N4 quem venceu foi Giovanna Diniz com D Quichote Redentor. No Amador N3 e N2 quem brilhou foi Gustavo Magalhães Reis com Dom Eldorado Marca Dos Santos.

Resultado Copa Internúcleos

A Copa Internúcleos teve o Núcleo Anhanguera na categoria Aberta como vencedor, o Núcleo do Paraná foi o campeão na Aberta N1 e na Amador, e o Núcleo Castelo Branco ficou com o título na Amador N1.

Juízes

O julgamento das provas esteve a cargo dos renomados juízes Ann Salmon, Dean Latimer, Christian Rammerstorfer, Wadson Lander, Marcos Antônio da Silva Jr, Reginaldo Melo Rosa (Equipamento), Leonardo Feitosa e Catharine Ferrazoli (Bem-Estar Animal).

 

WEG 2018

O próximo grande compromisso da ANCR é a participação nos Jogos Equestres Mundiais – WEG 2018. Considerado a “Copa do Mundo” do cavalo, o evento está marcado para acontecer entre 10 e 23 de setembro no Tryon International Equestrian Center, em Mill Spring na Carolina do Norte (EUA).

Para defender a bandeira brasileira na competição, estão escalados os veteranos Roberto Jou, Marcelo Almeida, João Felipe Lacerda, Franco Bertolani e Thiago Boechat, todos com vasta experiência na modalidade.

“Temos um time formado por cavaleiros extremamente preparados e capacitados para participar desse evento. Nossos cavalos são os melhores dos últimos anos. São cavalos que disputam provas de ponta. Então as expectativas são as maiores e melhores do mundo. Acredito muito que temos grandes chances de trazer um resultado positivo de lá”, afirmou o Presidente da ANCR, Francisco Moura.

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